A Sala que Nunca Esteve Vazia
Naquela escola antiga, de paredes
claras e janelas amplas, existia uma sala que quase ninguém notava. Não era a
sala dos professores, nem a coordenação, tampouco a diretoria. Era uma sala
simples, com carteiras antigas, um quadro já gasto pelo tempo e marcas de giz
que nunca desapareceram por completo.
No primeiro dia da Semana Pedagógica, a equipe foi
convidada a entrar ali.
Os professores estranharam.
Quando todos se acomodaram, a coordenadora
pedagógica iniciou a fala:
— Esta é a sala onde muitos
de vocês começaram a ensinar. Não exatamente esta, mas uma parecida. Uma sala
onde não havia certezas, apenas sonhos, medo, esperança e vontade de fazer a
diferença.
— Ao longo dos anos, esta
sala recebeu alunos diferentes: os atentos, os desafiadores, os silenciosos, os
que pediam ajuda sem palavras. Também recebeu professores cansados, inseguros,
apaixonados, frustrados, resilientes.
— Às vezes, acreditamos que
o que fazemos aqui é pequeno. Que somos apenas mais um nome no diário, mais uma
aula no horário. Mas esta sala nunca esteve vazia. Ela sempre esteve cheia de
histórias que começaram conosco.
A coordenadora apontou para o
quadro:
— Cada marca de giz
representa uma tentativa. Cada carteira riscada, uma fase da vida de alguém.
Cada silêncio, uma escuta que talvez tenha mudado tudo.
Ela respirou fundo e concluiu:
— A Semana Pedagógica não é
apenas sobre planejamento, metas e documentos. É sobre lembrar por que
escolhemos estar aqui. É sobre reconhecer que ensinar é um ato humano antes de
ser técnico.
Ao final, ninguém se levantou
imediatamente. Alguns professores permaneciam em silêncio, outros trocavam
olhares cúmplices. Todos, de alguma forma, haviam voltado à própria origem.
E aquela sala, simples e
esquecida, mais uma vez cumpriu sua função: lembrar que educar é deixar marcas
— mesmo quando não percebemos.
Dinâmica de Grupo
“A Sala que Nunca Esteve Vazia”
Objetivo - Promover reflexão
coletiva sobre identidade docente, sentido do trabalho pedagógico e impacto
humano da prática educativa.
Duração - 40 a 60 minutos (adaptável)
Público - Professores e equipe pedagógica
(todos os segmentos)
Ambiente
- Preferencialmente
em círculo ou em uma sala de aula comum
- Quadro
ou papel kraft
- Canetas
ou post-its
Etapas da Dinâmica
1. Acolhida e Leitura Sensível (10 minutos)
Condução:
- Leia a história “A Sala que Nunca Esteve
Vazia” em voz alta (ou peça que um professor voluntário leia).
2. Reflexão Individual Escrita (10 minutos)
Entregue um papel para cada participante.
Perguntas guiadas (escolher 2 ou 3):
- Qual
foi a sala de aula que mais me marcou? Por quê?
- Que
tipo de professor(a) eu era quando comecei?
- O
que ainda permanece vivo em mim como educador(a)?
- Que
marca eu gostaria que meus alunos carregassem de mim?
3. Partilha em Pequenos Grupos (15 minutos)
Formar grupos de 4 a 6 professores.
Orientações ao grupo:
- Cada
pessoa pode compartilhar uma resposta (não todas).
- Não
há interrupções nem julgamentos.
- O
foco é escuta, não debate.
Perguntas para discussão no grupo:
- O
que percebemos de comum nas nossas histórias?
- Em
que momentos nos afastamos da nossa motivação inicial?
- O que a escola pode fazer para que o
professor não se sinta “sozinho” em sala?
Síntese Coletiva – A Sala Viva (10 minutos)
No quadro ou papel kraft, escreva o título:
“Esta sala nunca esteve vazia porquê…”
Convide os professores a
completarem a frase com palavras ou expressões:
·
“afeto”
·
“escuta”
·
“persistência”
·
“aprendizagens invisíveis”
· “humanidade”
4. Fechamento Emocional e Intencional (5 minutos)
Finalize com uma pergunta dita em
voz alta (sem respostas imediatas):
“Que professor(a) eu escolho ser neste novo ano
letivo?”
Fonte: Chatgpt